QUANDO A PORTA SE FECHA

Fomos e somos ensinados a falar apenas daquilo que sabemos, e emitir opinião sobre certos assuntos não estando por dentro dos mesmos pode ser arriscado e mal compreendido. Não sei como começar esta minha dissertação, mas queria falar sobre o fim de um relacionamento. Sim. O fim dum relacionamento amoroso. Todos sabemos por experiência própria, ou por ouvir outros contar, o quão difícil é lidar com uma situação tão melindrosa. A dificuldade começa quando o que nos fazia sorrir perde o sentido ou algo dentro de nós nos avisa que está na hora de colocar um fim, por muito difícil e traumático que seja. Sabemos o que queremos mas arranjamos mil e um motivos para justificar a interrupção ou o término, algo nos faz procurar um culpado, e dificilmente alguém sai imaculado da situação. O ser humano tem muitas dificuldades em lidar com fracassos, fomos educados para vencer, sermos ganhadores. Quando nos deparamos com uma separação temos a tendência para a encarar como uma derrota. É como se nos arrancassem algo do peito. Uma relação, seja ela qual for, é definida por nós como uma rotina e admitir sair dela é muito doloroso. É a mudança de hábitos, outra vida, é deixar algo inacabado com o parceiro com quem partilhámos sonhos e planos. A sombra do fracasso assola-nos mais uma vez, dói mesmo e no mais fundo de nós. Sentamo-nos sós num banco qualquer e a qualquer hora e tentamos descobrir nas paredes e nos olhos de quem passa o causador do abismo… há mil maneiras de “descobrir” um culpado para as lágrimas e para o desespero. O chão abre-se e vemos tudo quanto almejámos ruir em queda livre, é como se o vento levasse para longe um pedaço de nós. Há casos de separação em que o amor existente entre ambos não é beliscado, há coisas incompreensíveis sobre as quais não temos autoridade. Nós somos um conjunto de ciclos, umas vezes com sinal mais, outras com sinal menos, umas vezes em cima, outras vezes em baixo. Não poucas vezes o acto de separação é um acto de coragem, de assumir em pleno o fim duma estrada, é chegar à foz do rio. Quando amamos, não queremos que esse amor acabe como as folhas das árvores no outono varridas pelo vento. Queremos que seja como as flores que se abrem aos primeiros raios de sol, que alimentam os insectos e dão cor à vida. Quando amamos, o amor está sempre presente ainda que a visão nos distancie, não existe um “adeus” porque o amor é indelével e preenche por inteiro o peito. Ninguém ama pela metade. Podemos vir a amar outro alguém, mas esse novo amor nunca desalojará aquele a que demos a chave. Muito provavelmente, estas palavras não passarão dum arrazoado de intenções e suposições. Como disse no início, só se deve falar de assuntos sobre os quais tenhamos algum domínio. Contudo, arrisquei.


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